Tagged: Terrorismo

Do #JeSuis ao #PrayFor

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Pouco mais de um ano depois do atentado terrorista ao semanário satírico francês Charlie Hebdo, em que ficou célebre o slogan cunhado sob a forma hashtag[1]Jesuischarlie” (eu sou charlie), já poucos se arriscam a ser uma outra coisa qualquer. Não porque escasseie a solidariedade para com as vítimas. Esta permanece intacta. Em Bruxelas, tal como em Novembro passado, nos atentados de Paris, foram muitas as pessoas que abriram as portas de suas casas para darem refúgio e abrigo a quem se encontrava sem transportes públicos para regressar a casa. Muitos taxistas transportaram pessoas sem cobrar pelas viagens. E a solidariedade online também não faltou. O Facebook activou a funcionalidade Safety Check (Centro de segurança), que permite, em caso de catástrofe natural ou de origem humana, aos usuários da rede social informar os aos seus contactos que estão em segurança e ver se os outros também estão bem. No Twitter, líderes mundiais e uma multidão de anónimos repudiaram os atentados e manifestaram a sua solidariedade, com uma particularidade: as hashtags que se popularizaram foram “PrayForBelgium” (Reza pela Bélgica) e “PrayForTheWorld” (Reza pelo Mundo). Importa recordar que na sequência dos atentados de Paris as redes sociais renderam-se à hashtag PrayforParis”. Continue reading

O nosso canto de paz não é o “Imagine” de John Lennon

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Na sexta-feira santa do ano 2003, o padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, na basílica de S. Pedro e diante de S. João Paulo II, iniciou a pregação com a letra da canção Imagine de John Lennon:

“Imagina que não há paraíso/ não é difícil se tentares / nenhum inferno debaixo de nós / acima de nós só o céu / Imagina toda a gente / a viver o presente / imagina que não há países. / Não é difícil, verás. / Nenhum motivo para matar ou morrer / e nenhuma religião também (…)”.

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Charlie Hebdo e as urgências teológicas

150107-charlie-hebdo-gunmen-jsw-958a_9247a348a451b96b8d427480a57d924dCaminho fácil e pouco arriscado é reduzir o ataque terrorista ao jornal satírico francês a um atentado contra a liberdade de expressão. Mesmo considerando as várias análises que redundam sempre nas leituras políticas, geopolíticas, troca de informações entre agências de informação e relações diplomáticas. A leitura religiosa segue, regra geral, o sentido unívoco, simplista e resume-se ao slogan: “Isto não tem nada a ver com o Islão”. Sim, é verdade, não reflecte a fé no Islão. Mas não podemos negar que tem tudo a ver com um modo particular de professar a fé. Caso contrário, como explicar que dois homens executem 12 pessoas ao som do refrão Allahu Akbar (Deus é grande) e saiam do edifício do jornal gritando: “Vingamos o profeta Maomé. Matamos Charlie Hebdo!”!?

Há, na opinião Nicolas Steeves, sj., (professor de teologia fundamental na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma), urgências teológicas. Num artigo publicado na página online da revista francesa La vie (lavie.fr), Steeves escreve que os teólogos devem contribuir na resposta a duas questões, duas urgências: repensar a função do “crer” e repensar o que habita o coração do homem. Continue reading

O Apelo de Paris

“Os signatários de L’Appel de Paris (O Apelo de Paris) encontraram-se num momento particular da história da humanidade, em que o mundo assiste à irrupção inigualável do extremismo e da violência no Médio-Oriente, instrumentalizando o Islão como bandeira”. Assim inicia a declaração solene assi- nada no passado dia 9 de Setembro, na Grande Mesquita de Paris, pelas mais representativas instituições muçulmanas francesas. Continue reading

Onde estão as manifestações contra o Estado Islâmico?

Onde estão as manifestações contra o Estado Islâmico? Quem coloca a questão é Yasmine Bahrani, muçulmano e professor de jornalismo na American University, no Dubai, num artigo de opinião publicado no jornal norte-americano The Washington Post (29 de Agosto). Segundo Bahrani, as demonstrações de condenação contra o Estado Islâmico pelos actos horrendos contra Cristãos, Yazidis e mesmo Muçulmanos no Iraque e na Síria, foram em muito menor escala quando comparadas com as manifestações de Verão de milhares de muçulmanos nas ruas de Londres, Paris e outras cidades, para condenarem as mortes de civis resultantes dos raides do exército israelita. Continue reading