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Há qualquer coisa que não está a funcionar no jornalismo

Papa Francisco dá uma conferência de imprensa na viagem de regresso da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, Brasil.
Papa Francisco dá uma conferência de imprensa na viagem de regresso da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, Brasil.

Publicado no Suplemento Igreja Viva (30/06/2016) do Diário do Minho

Uma viagem papal é sempre um acontecimento mediático. Aguarda-se com expectativa a recepção ao papa, os encontros ao mais alto nível, os discursos, as suas posições relativamente a matérias controversas e/ou polémicas, os gestos, enfim, tudo é seguido, escalpelizado ao pormenor pelas principais agências de notícias internacionais e jornalistas de todo o mundo. Com Francisco elas ganharam um novo motivo de interesse: as conferências de imprensa sempre realizadas no voo de regresso a Roma. E por vários motivos. O primeiro deles é que se trata de uma verdadeira conferência de imprensa, não uma simulação. Ou seja, os jornalistas podem colocar livremente as questões, sem que estas sejam selecionadas previamente pelo director da sala de imprensa e/ou seus assessores. Depois, porque o papa não se escusa a responder a nenhuma pergunta, mesmo as mais incómodas. Tudo acontece em directo, em primeira mão, de uma forma livre e espontânea. Continue reading

A Igreja e a relação com os media

Há uma dimensão comunicativa do papa Francisco que ainda não foi alvo da devida atenção. Falo da relação do papa com os meios de comunicação social. Concretamente com os jornalistas.

Importa referir que o primeiro discurso de Francisco foi precisamente num encontro, por ele desejado, com os representantes dos meios de comunicação social, acreditados para a cobertura do conclave. Nesse encontro, afirmou que os mass media são “indispensáveis para narrar ao mundo os acontecimentos da história contemporânea”, agradeceu o serviço “qualificado” dos jornalistas e terminou abençoando todos os profissionais presentes. Os profissionais, com o seu faro jornalístico, intuíram desde logo que estavam perante alguém que os compreendia e respeitava profissionalmente. E não se enganaram. Continue reading