Tagged: Divorciados recasados

Cardeal Schönborn: Amoris Laetitia é o grande texto de moral que esperávamos

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Publicado no Suplemento Igreja Viva (14/07/2016) do Diário do Minho

Desde a publicação, e mesmo antes, da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Letitia (A Alegria do Amor) que muita tinta tem corrido sobre a possibilidade de os católicos que se divorciaram e recasaram civilmente poderem receber a comunhão. Leu-se e lê-se de tudo um pouco. Na maior parte dos casos as análises e interpretações do parágrafo 300 e notas de rodapé 336 e 351, que fazem explicitamente referência à questão, dizem mais sobre o estado de espírito de quem as comenta do que propriamente do conteúdo do texto. Há os que estão em estado de negação, há os que estão numa situação de bloqueio mental, há os que estão reféns das posições rígidas que foram tomando ao longo de dois sínodos, há também muita desonestidade, há, sobretudo, muita falta de amor, recebido e oferecido. Continue reading

Amoris Laetitia

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Publicado no Suplemento Igreja Viva (21/04/2016) do Diário do Minho]

Nota prévia. A Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia (Alegria do Amor) arrisca-se a ser mais um daqueles textos que todos citam mas que poucos leram. O que se segue é apenas convite à leitura integral do documento. Continue reading

Nem sim, nem não. Caso a caso

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[publicado no suplemento Igreja Viva (29.10.2015) do jornal Diário do Minho]

Cinco dias passados da conclusão do Sínodo da família, já todos percebemos que não ficou tudo igual nem tudo na mesma. Mesmo com todas as tentativas confrangedoras, diga-se de passagem, de minimizar o significado e o alcance do documento final. A aprovação dos parágrafos 84, 85 e 86, que dizem respeito ao discernimento e integração dos divorciados recasados, caso a caso, com a maioria qualificada de dois terços, foi rapidamente alvo de desqualificação por uma minoria, essa sim, supostamente qualificada. A desvalorização do êxito da votação final é fácil de explicar e de entender. Não há empate técnico que salve a face de quem entrou na lógica de vencedores e vencidos ou da famigerada metáfora do sínodo como se de um jogo de futebol se tratasse. Já para não falar de algumas crónicas pejadas de ironia corrosiva de fazer corar qualquer pessoa com um mínimo de bom senso e que tinham como alvo famílias feridas pelo divórcio. Mas também houve quem imprudentemente se apressasse a apresentar as conclusões do sínodo, antes mesmo de entrar na aula sinodal. Atitude que além de manifestar um claro deficit de diálogo ignora o significado de uma igreja sinodal que o Papa Francisco define como: «uma Igreja da escuta, ciente de que escutar “é mais do que ouvir”. É uma escuta recíproca, onde cada um tem algo a aprender. Povo fiel, Colégio Episcopal, Bispo de Roma: cada um à escuta dos outros; e todos à escuta do Espírito Santo, “o Espírito da verdade” (Jo 14, 1), para conhecer aquilo que Ele “diz às Igrejas” (Ap 2, 7). Continue reading

O caminho da Igreja e o caminho do Sínodo: misericórdia e integração

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(publicado no suplemento Igreja Viva (19.02.2015) do jornal Diário do Minho)

A homilia do Papa no Domingo passado, perante velhos e novos cardeais, merece ser lida e relida, rezada e meditada. Uma das mais belas e profundas homílias do pontificado e, segundo alguns vaticanistas, aprofundamento e chave de leitura no caminho de reflexão e maturação até ao próximo Sínodo. Um bom pretexto para retomarmos o Sínodo da família e perspectivarmos como a discussão sobre os divorciados recasados se revelará uma caixinha de surpresas. Vejamos dois exemplos.

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O Sínodo dos Média e o Sínodo dos Bispos

Há uma euforia mediática em torno do sínodo da família. Uma euforia compreensível tendo em conta que o assunto tratado e a expectativa gerada, em particular no que diz respeito à possibilidade da readmissão dos divorciados recasados aos sacramentos, toca milhões de pessoas. Depois, porque os protagonistas deste sínodo puseram em prática uma verdadeira campanha mediática. Falo em concreto, e apenas a título de exemplo, das inúmeras entrevistas que Walter Kasper deu, com o objectivo de esclarecer a sua posição no último consistório, e do livro escrito por cinco cardeais, com o cardeal Müller prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé à cabeça, publicado há pouco menos de um mês e intitulado “Permanecer na Verdade de Cristo”, onde os autores se manifestam contrários a admitir os divorciados recasados à comunhão. Em suma, um debate bipolarizado e afunilado, se não mesmo entrincheirado, entre prós e contras e/ou “progressistas e conservadores”, como alguns preferem categorizar. Continue reading