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O nosso canto de paz não é o “Imagine” de John Lennon

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Na sexta-feira santa do ano 2003, o padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, na basílica de S. Pedro e diante de S. João Paulo II, iniciou a pregação com a letra da canção Imagine de John Lennon:

“Imagina que não há paraíso/ não é difícil se tentares / nenhum inferno debaixo de nós / acima de nós só o céu / Imagina toda a gente / a viver o presente / imagina que não há países. / Não é difícil, verás. / Nenhum motivo para matar ou morrer / e nenhuma religião também (…)”.

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Charlie Hebdo e as urgências teológicas

150107-charlie-hebdo-gunmen-jsw-958a_9247a348a451b96b8d427480a57d924dCaminho fácil e pouco arriscado é reduzir o ataque terrorista ao jornal satírico francês a um atentado contra a liberdade de expressão. Mesmo considerando as várias análises que redundam sempre nas leituras políticas, geopolíticas, troca de informações entre agências de informação e relações diplomáticas. A leitura religiosa segue, regra geral, o sentido unívoco, simplista e resume-se ao slogan: “Isto não tem nada a ver com o Islão”. Sim, é verdade, não reflecte a fé no Islão. Mas não podemos negar que tem tudo a ver com um modo particular de professar a fé. Caso contrário, como explicar que dois homens executem 12 pessoas ao som do refrão Allahu Akbar (Deus é grande) e saiam do edifício do jornal gritando: “Vingamos o profeta Maomé. Matamos Charlie Hebdo!”!?

Há, na opinião Nicolas Steeves, sj., (professor de teologia fundamental na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma), urgências teológicas. Num artigo publicado na página online da revista francesa La vie (lavie.fr), Steeves escreve que os teólogos devem contribuir na resposta a duas questões, duas urgências: repensar a função do “crer” e repensar o que habita o coração do homem. Continue reading