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Bose: onde a utopia da unidade dos cristãos é um lugar

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Enzo Bianchi, priore da Comunidade Monástica de Bose e Sua Santidade Bartolomeu, Arcebispo de Constantinopla e Patriarca Ecuménico. © foto Monastero di Bose

Quando se aborda a questão da unidade dos cristãos Enzo Bianchi é uma das personagens incontornáveis do mundo católico. Uma referência. Não por acaso o papa Francisco nomeou-o consultor do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Continue reading

Entre o matrimónio indissolúvel e a misericórdia

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[Tradução livre do texto ‘Tra matrimonio indissolubile e misericordia’, de Enzo Bianchi, prior da Comunidade de Bose, publicado hoje (12.10.2014), no quotidiano italiano ‘La Stampa’, pp 1 e 25]

Logo depois da eleição do papa Francisco, o cardeal Ravasi declarou: “Respira-se um novo ar há muito esperado”. Hoje, depois de vinte meses de pontificado, podemos dizer que se criou um outro clima no tecido eclesial: um clima de liberdade expressão no qual, com parrésia, cada católico, bispo ou simples fiel, pode deixar falar a sua própria consciência e dizer aquilo que pensa, sem ser logo reduzido ao silêncio, censurado ou até mesmo punido, como acontecia nos últimos decénios.

Isto não significa um clima idílico, porque os conflitos, alguns mesmo duros, estão presentes no seio da Igreja — como já testemunhado nos escritos do Novo Testamento — mas se estes forem vividos sem excomunhões recíprocas, se cada um escutar as razões do outro sem fazer dele um inimigo, se todos procurarem manter a comunhão, então, até mesmo os conflitos são fecundos e servem para aprofundar e dar razões das esperanças que abitam o coração dos cristãos.

Infelizmente pode-se constatar que já há “inimigos do Papa”: pessoas que não se limitam a criticá-lo com respeito, como acontecia com Bento XVI e João Paulo II, mas chegam ao ponto de desprezá-lo. Um bispo que diz aos seus padres que a exortação apostólica Evangelii Gaudium “poderia ter sido escrita por um lavrador” exprime um juízo de desprezo, mas profeticamente declara que aquela carta é legível e compreensível até por um pobre e simples cristão da periferia do mundo. Assim, além das intenções, aquelas palavras de desprezo constituem um elogio. Alguns acrescentam, para deslegitimar a eleição de Bergoglio, que o conclave não decorreu segundo as regras, outros sustentam que há dois papas, os dois sucessores de Pedro mas com funções diferentes… Há muito que conhecemos estas pessoas mais propensas a seguir as próprias hipóteses eclesiásticas do que a objectividade da grande tradição católica na qual vale o primado do evangelho. Continue reading