Sínodo 2015: respostas fiéis e corajosas

sinodo_familia_vaticano_2015

(publicado no suplemento Igreja Viva (11.12.2014) do jornal Diário do Minho)

Na última Assembleia extraordinária dos Bispos sobre a família o Papa Francisco encorajou os padres sinodais a falarem com franqueza e liberdade. Agora, no documento-base (“lineamenta”) para o Sínodo de 2015 (4 a 25 de Outubro), constituído pela Relação final e 46 questões, Francisco pede “respostas fiéis e corajosas” da parte dos Pastores e do povo de Deus. O objectivo do questionário é claro: “facilitar o devido realismo na reflexão de cada episcopado, evitando que as respostas possam ser dadas segundo esquemas e perspectivas próprias de uma pastoral meramente aplicativa da doutrina, que não respeitaria as conclusões da Assembleia sinodal extraordinária, e afastaria as reflexões do caminho já traçado”. Trocando em miúdos: é imperativo (re)pensar a pastoral familiar e não podem ser dadas as mesmas respostas de sempre.

Há já quem veja neste parágrafo uma tentativa de influenciar as respostas. Angela Ambrogetti, jornalista vaticanista, afirma: “algumas Igrejas locais talvez prefiram um acento mais decisivo sobre a doutrina perante uma prática pastoral amplamente desligada do Magistério”. Talvez por isso, e procurando salvaguardar a pluralidade de posições, na introdução ao questionário coloca-se uma pergunta prévia referente à Relação final: “A descrição da realidade da família presente na Relatio Synodi (Relação final) corresponde a quanto se evidencia na Igreja e na sociedade de hoje? Quais os aspectos que faltam e que se podem integrar?”.

Quem não perdeu tempo e nem sequer esperou pelo documento agora enviado foi o episcopado francês. Onze dias (!!!) após a conclusão da primeira etapa sinodal, o cardeal André Vingt-Trois, arcebispo de Paris e o arcebispo de Marselha, presidente da Conferência Episcopal Francesa, Georges Pontier, apresentaram dois caminhos a seguir: paróquias e teólogos a reflectirem sobre o documento final do sínodo. Em Paris, o cardeal Vingt-Trois, propôs uma equipa de 6 a 12 pessoas, a ser constituída em cada paróquia, para discutir entre Janeiro e o Pentecostes, a Relação final. As reflexões serão posteriormente apresentadas no Sínodo ordinário do próximo ano. Já outras questões exigem um trabalho teológico “que ainda não foi feito ou que então convém aprofundar”.

Um caminho que poderia ser perfeitamente seguido pelo episcopado português. Não tenhamos ilusões. Em Portugal o questionário não chegará a todas as paróquias e nem todos os fiéis terão uma participação activa. Mas também não me parece necessário, desde que seja assegurada uma representatividade. Além disso, a maior parte das questões só podem ser satisfatoriamente respondidas por especialistas. Refiro-me, por exemplo, àquelas relacionadas com a cura das famílias feridas. Já a constituição de grupos de reflexão a nível arciprestral e uma comissão de teólogos seria tão importante quanto necessária. Como propõe o documento, é da responsabilidade das Conferências Episcopais escolher a modalidade adequada para a reflexão de modo “a envolver todas as Igrejas particulares e instituições académicas, organizações, agregações laicais e outras instâncias eclesiais”. Seja qual for a modalidade escolhida importante mesmo é que suscite “respostas fiéis e corajosas”.

PartilharShare on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0Share on LinkedIn0Pin on Pinterest0Email this to someonePrint this page

Post a comment

You may use the following HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>