Serve uma Onu das Religiões?


World News Videos | US News Videos

A ideia de criar uma ONU das Religiões foi apresentada, nos inícios de Setembro do ano passado, pelo ex-presidente de Israel Shimon Peres ao Papa Francisco. Uma proposta não propriamente nova. Meses antes, o ex-primeiro ministro espanhol José Luis Zapatero, num colóquio sobre o papel do diálogo inter-religioso na promoção da paz, defendia “uma aliança permanente entre as confissões religiosas”, vinculada à ONU e à Aliança das Civilizações, para criar “uma autoridade religiosa global”. Todavia, Shimon Peres ia mais longe na sua proposta, ao querer substituir a ONU — para Peres a ONU que conhecemos já não funciona — por uma Organização das Religiões Unidas. A sua proposta contemplava a existência de uma Carta das Religiões Unidas, à semelhança da Carta das Nações Unidas. “Uma nova Carta serviria para estabelecer, em nome de todas as religiões, que chacinar pessoas, ou cometer assassinatos em massa, (…) não tem nada a ver com a religião”. Para Peres, este “seria o melhor modo de contrastar com os terroristas que matam em nome da fé”.

O porta-voz da Santa Sé, o padre Federico Lombardi, disse que o Papa “acolheu com interesse as propostas de Peres”, sem deixar de referir que a Santa Sé dispõe de dicastérios específicos para estes assuntos, como o do Diálogo Inter-religioso e o da Justiça e Paz. Já Enzo Bianchi, no dia logo a seguir ao encontro de Shimon Peres com o Papa, criticou a proposta: “Um hipotético novo organismo mundial poderia estabelecer uma espécie de denominador comum mínimo das religiões (…) nesta óptica não se pode evitar a impressão de um nivelamento sincretista, o esfumar da revelação numa nebulosa, na qual todas as verdades se equivalem e cada profissão de fé é vítima da indiferença” (La Stampa, 05.09.2014).

A questão parecia estar encerrada e destinada ao esquecimento, até à edição desta semana da revista dos jesuítas estadunidenses America, que, em editorial, pergunta: “Uma ONU para as religiões?” Segundo a revista, a resposta é sim. “Os conflitos reais e imaginários no mundo Islâmico e entre o Islão e Cristianismo, Cristianismo e Hinduísmo, Budismo e Islão — e assim por diante — exigem um regular, transparente e franco fórum para o diálogo e resolução de conflitos — uma Nações Unidas para o mundo das religiões, como o antigo Presidente de Israel Shimon Peres propôs no Vaticano em Setembro passado”, lê-se no editorial. A presidir a este fórum, o Vaticano. “O Vaticano — continua o editorial — talvez seja o único capaz de criar e sustentar um tal fórum, e deveria colocar seus bons serviços, em conjunto com influentes representantes de outras tradições religiosas, para levar a cabo este trabalho”.

Concorde-se ou não com a possibilidade da criação de uma ONU das Religiões, os acontecimentos dos últimos meses conduziram-nos a um ponto onde todas as religiões são chamadas a tomar, em conjunto, uma atitude concreta e expressiva contra a denominada “violência religiosa”. Como conclui a revista America, “os políticos podem combater o extremismo não violento com maiores investimentos sociais e económicos em locais problemáticos do globo, mas só os líderes religiosos mundiais — trabalhando em conjunto — podem enfrentar o vazio interior da alma das pessoas que pode levar à violência religiosa”.

PartilharShare on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0Share on LinkedIn2Pin on Pinterest0Email this to someonePrint this page

Post a comment

You may use the following HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>