Sê misericordioso, confessa os teus pecados e reza

12f84-papa“Sê misericordioso, confessa os teus pecados e reza”. A frase é do vaticanista Andrea Gagliarducci e aparece-nos num texto comemorativo dos dois anos da eleição do Papa, onde questiona se a misericórdia não será o verdadeiro rosto da “revolução” de Francisco. Escreve o vaticanista: “talvez o Papa tenha convocado o Jubileu com o objectivo de fazer passar esta mensagem: sê misericordioso, confessa os teus pecados e reza. É deste modo que se realiza a conversão dos corações, e não através de agendas (seculares ou não) que tentam dar a este pontificado uma direcção diferente da de Francisco”.

A decisão do Papa de convocar um Jubileu extraordinário, o Ano Santo da Misericórdia, que começará com a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro no próximo 8 de Dezembro, solenidade da Imaculada Conceição, e que concluirá no próximo 20 de Novembro de 2016, sendo uma surpresa não é surpreendente.

A misericórdia é um tema muito caro ao Papa Francisco, tendo mesmo escolhido como seu lema episcopal miserando atque eligendo. Uma citação retirada de uma homília de São Beda Venerável a propósito do episódio da vocação de São Mateus. Uma tradução possível do lema é “com olhos de misericórdia”. Esse é olhar que o Papa Francisco, desde o primeiro momento, lançou sobre o mundo.

No primeiro Angelus depois da sua eleição, o Santo Padre dizia: “sentir misericórdia: esta palavra muda tudo, muda o mundo. Um pouco de misericórdia torna o mundo menos frio e mais justo. Precisamos de compreender bem esta misericórdia de Deus, este Pai misericordioso que tem tanta paciência”. Na mensagem para a Quaresma deste ano escrevia: “como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!”

Esta é a Igreja que o Papa sonha. Esta é a grande reforma que pretende para a Igreja. Na entrevista à La Civiltà Cattolica, quando questionado sobre as necessidades da Igreja neste momento histórico, se eram ou não necessárias reformas, quais os desejos para Igreja dos próximos anos, que Igreja sonhava, o Papa usou a metáfora do “hospital de campanha”. “Vejo com clareza — fala o Papa — que aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem o colesterol ou o açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas. Depois podemos falar de tudo o resto. Curar as feridas, curar as feridas… E é necessário começar de baixo”.

Hoje é raro escutar a bela e comovente expressão “o padre (tal) cura a paróquia de…”. Apenas os idosos das nossas aldeias a têm entranhada na alma. E de vez em quando lá lhes sai. Com Francisco, a expressão ganha novo fôlego. Os padres da era Francisco são aqueles que derramam “o óleo da consolação e o vinho da esperança” nas feridas da humanidade. Padres-curas, portanto.

No fim do pontificado do Papa Francisco, quando nos perguntarem qual é o seu legado, a síntese da mensagem do Papa Francisco, penso que todos teremos de citar inevitavelmente Gagliarducci e dizer: “Sê misericordioso, confessa os teus pecados e reza”.

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