Papa Francisco: “Rezai por mim!”

11062170_877552468978544_4067039817170486092_oAmanhã, sexta-feira, celebramos o segundo aniversário da eleição do Papa Francisco. Dois anos passados, a força das palavras e gestos do Papa Francisco, a sua autoridade moral e influência política, o magnetismo das multidões e a boa imprensa, continuam em permanente crescendo. O denominado “efeito do Papa Francisco” está longe de poder ser considerado uma coisa passageira e merece-nos uma análise mais profunda.

Na verdade, não faltam admiradores — já seguidores! — do Papa Francisco e entre os primeiros e mais importantes encontram-se os meios de comunicação social. Há dias um amigo dizia-me: “A imprensa adora o papa: segundo eles foi o primeiro papa a beijar uma criança e até inventou o sorriso”. Brincadeiras à parte, as palavras e os gestos do Francisco mudaram a face da Igreja, ou seja, a percepção que as pessoas têm sobre a instituição. Mas será que mudaram a Igreja? É fácil apontar o dedo à cúria romana, reclamar reformas, mais transparência e proximidade com as Igrejas locais, mas isso não significa, uma mudança na Igreja. Essa depende de todos os baptizados e da “qualidade” da sua vida cristã.

Há duas semanas, o padre Thomas Rosica, discursando sobre a comunicação da Igreja Católica na era do Papa Francisco, afirmava que “o pontificado já não vive numa período de lua de mel. O mundo escuta Francisco e a Igreja porque têm algo de sólido a dizer e a oferecer a um mundo mergulhado no caos, guerra, terror, violência, desespero e trevas”. No mesmo discurso, Rosica elencava 27 frases pronunciadas pelo papa que foram capa e títulos de jornais, abriram noticiários, tornaram-se virais nas redes sociais e, não menos importante, entraram no vocabulário dos fiéis.

O elenco tão exaustivo e detalhado pecou ao não contemplar a frase mais importante e repetida ao longo de todo o pontificado: Pregate per me! Rezai por mim! Talvez porque não é considerada uma frase de efeito. Aliás, estou convencido que nos milhares de comentários, análises e reflexões que se fizeram do pontificado ao longos destes dois anos, nenhum deles contempla o constante pedido do papa a rezarem por ele. E, no entanto, os momentos mais marcantes deste pontificado foram as vigílias e encontros de oração convocados pelo Papa, em momentos críticos de guerra eminente, como caminho para a paz.  A oração pelo o papa e com o papa é central no pontificado de Francisco.

Temo, por isso, que após dois anos ainda não tenhamos verdadeiramente escutado o Papa Francisco e percebido o alcance do seu pedido. Ao mesmo tempo acredito que na oração dele e na nossa por ele reside toda a força do seu ministério petrino.

Na sua raiz mais profunda a oração, mais do que dizer palavras, é escuta. A escuta de um Deus que nos ama fala. Uma escuta necessária para conhecer a Sua vontade e nela fundarmos a nossa vida. Precisamos, por isso, tal como o rei Salomão, de pedir um coração que escute (cf. 1 Rs 3, 9).

Pessoalmente, penso que o papa Francisco ao exortar-nos permanentemente à oração por ele está a dizer-nos que a reforma da Igreja só será possível a partir de uma comunhão orante. E sem oração não há reforma, mas cosmética. Falta-nos esta convicção, creio.

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