Mulheres Igreja Mundo

 

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© Giulia D’Anna Lupo | Le Monde 28 de Outubro de 2015

Publicado no Suplemento Igreja Viva (12/05/2016) do Diário do Minho

Trinómio tão denso e complexo na sua articulação quanto sugestivo dá título (Donne Chiesa Mondo) ao suplemento mensal, pensado e feito no feminino, do L’Osservatore Romano, o jornal diário político-religioso oficioso (não oficial) da Santa Sé.

A ideia de um suplemento no feminino (não feminista, atenção!) inteiramente dedicado às mulheres, nasce do desejo do Papa Bento XVI e do empenho Gian Maria Vian, director do L’Osservatore Romano desde 2007, que abriram o jornal a um maior participação das mulheres quer como colaboradoras quer como jornalistas. Uma decisão que não se pode considerar isolada nos oito anos do pontificado de Bento XVI. O Papa emérito não só promoveu, amplificou e qualificou a presença feminina no Vaticano, como escreveu que “omitir a mulher no conjunto da teologia significa negar a criação e a eleição (a história da salvação) e portanto suprimir a revelação”. A afirmação parece-nos óbvia, mas quando colocamos tanto ênfase no óbvio significa, neste caso concreto, que o papel da mulher na Igreja encontra-se numa condição latente.

Lucetta Sacaraffia, historiadora e coordenadora do suplemento desde a primeira hora (2012), quando questionada sobre o papel das mulheres na Igreja, assinala precisamente que “o objectivo não é que as mulheres possam fazer tudo como os homens, mas que possam ser reconhecidas na riqueza do seu papel, ser escutadas. Neste sentido, o Papa (Francisco) quer realizar uma revolução cultural e teológica profunda. No Génesis, Deus criou o homem e a mulher à sua imagem — Ele não é portanto somente Pai mas também Mãe. Desenvolver uma teologia no feminino, como pede o Papa, significa redescobrir esta dimensão”.

Caso paradigmático da inteligência da fé na feminino e assumido como ícone programático do suplemento é a cena evangélica da Visitação de Maria à sua prima Isabel. “Maria e Isabel são ambas as duas capazes de ver o significado profundo dos acontecimentos que estão a viver, de vislumbrar o divino quando este ainda permanece velado. E fazem-no primeiro que os homens, primeiro que os sacerdotes e os sábios. Por isso a Visitação é o ícone do nosso projecto: mulheres que trazem à luz, ao conhecimento do mundo, o que outras mulheres têm a dizer ou que no passado disseram e escreveram, o que fazem ou fizeram. Mulheres desejosas de se conhecerem, de se escutarem e de se entreajudarem. Mas também ícone do olhar específico das mulheres sobre o sagrado” escreve Lucetta Sacaraffia no editorial da renovada edição do suplemento, apresentada na semana passada.

Ao inaugurar o quinto ano de existência, as quatro páginas transformaram-se numa revista de quarenta páginas a cores, com um novo formato, novo aparato gráfico e duas novas rubricas confiadas às irmãs da comunidade de Bose (Itália): uma sobre as mulheres artistas e a outra sobre a Bíblia na óptica própria da comunidade, ou seja, a partilha da Palavra de Deus com os irmãos. O cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, a quem coube fazer a apresentação, disse a propósito: “se não escutarmos com atenção a voz das mulheres nos grandes momentos decisivos da vida da Igreja corremos o risco de perder contributos na elaboração de novos projectos e horizontes, que podem vir a ser o futuro de uma realidade bimilenar como a Igreja, oferecendo-lhe a originalidade do contributo do génio feminino. (…) ‘Mulheres Igreja Mundo’ recorda a todos e sugere também que as mulheres têm muito a dizer e que é portanto indispensável escutá-las”.

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