Do TripAdvisor ao ChurchAdvisor? (I)

Captura de ecrã 2015-05-2, às 10.51.42Procurava o código postal da paróquia onde me encontro. Pouco depois de ter digitado Our Lady of Lou…, automaticamente, foi-me sugerida a localização da paróquia no mapa, o endereço do sítio na rede e fui surpreendido por uma avaliação de 3 estrelas e uma crítica no Yelp. Esqueci o que procurava e fui imediatamente ver a crítica.

Yelp, tal como o TripAdvisor, são aplicativos móveis e plataformas online que permitem aos utilizadores, entre outras coisas, avaliarem e escreverem críticas sobre negócios locais, tais como restaurantes, bares, esplanadas, hotéis, locais turísticos, etc., menos, pensava eu, uma paróquia.

A história deste comentário/crítica é simples. Paul Y., assim se identifica, estava prestes a mudar-se para a cidade de Columbia, no estado do Missouri, EUA, e procurava uma paróquia onde pudesse celebrar a sua fé. Tendo isto em mente, ele e a esposa participaram em duas celebrações dominicais da eucaristia das 7 da manhã, na igreja paroquial de Our Lady of Lourdes, e tornaram públicas as suas impressões no Yelp. Em seis pontos Paul avaliou positivamente a paróquia. Foi surpreendido pela presença de cerca de 500 pessoas — de várias idades, raças e género — na celebração das 7 da manhã, nas duas vezes em que participou. Esperava apenas uma dúzia. As celebrações começaram a horas e terminaram dentro de uma hora. As homílias, do pároco e do vice-pároco, foram claras, bem organizadas e duraram entre 6 a 10 minutos. As casas de banho estavam bem identificadas. E, por fim, escreve que a igreja dispõe de um bom parque de estacionamento. Já contra, Paul aponta a ausência do uso do turíbulo e das campainhas na consagração, e a falta de acolhimento da parte dos paroquianos.

A avaliação, o comentário e a crítica à vida paroquial não são uma novidade. Sempre existiu e sempre existirá. Entre amigos ou em família não é raro falar-se sobre o grupo coral e a liturgia em geral, a graça ou a desgraça das homílias do padre, as casas de banho da igreja que nunca mais se constroem ou que, existindo, é difícil encontrá- las limpas, a falta de estacionamento, as ausências ou presenças na eucaristia que se fazem notar, enfim, alguns dos temas que habitam as nossas conversas sobre a vida paroquial. Novidade é a passagem do âmbito privado ao público e as suas consequências.

Num momento em que o território não define mais a pertença a uma comunidade paroquial — aliás, em boa verdade nunca definiu — e a “mobilidade” emerge como categoria identitária da sociedade contemporânea e determinante na acção pastoral, esta simples avaliação categoriza elementos fundamentais na altura de escolher a paróquia que se quer integrar, como: equipamento, liturgia e hospitalidade.

É pouco provável, pelo menos por enquanto e em contexto católico, que alguém desenvolva uma aplicação de avaliação de paróquias, uma espécie de ChurchAdvisor à imitação do TripAdvisor. Já o comentário, a avaliação e a crítica pública online à vida paroquial não é coisa que vai acontecer no futuro, é o presente.

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