Comunicação da Igreja: rostos, pessoas e histórias

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[publicado no suplemento Igreja Viva (18.11.2014, p. 2) do Diário do Minho]

Conta Mario Calabresi director de um dos mais importantes quotidianos italianos: La Stampa — que um dia encontrando-se com Stefano Maruzzi, na altura o responsável da Google em Itália, este lhe disse: “Os jornais enganam-se se pensam que a salvação está na aposta em novas plataformas como o iPad e o online. Vós não vos deveríeis preocupar com o tipo de estrutura e do meio de comunicação que difunde a vossa mensagem. Estes são secundários. Vós vos deveríeis preocupar com uma coisa só: conteúdos, conteúdos, conteúdos! Até podeis ter os melhores meios de difusão para os vossos conteúdos, mas se não tendes qualquer coisa que valha a pena ser lido e que faça a diferença, com o ruído que há no mundo, ninguém se lembrará de vós”. A advertência de Maruzzi e a visita de Calabresi a alguns jornais importantes de Londres (Times e Financial Times) estão na origem daquela que é, seguramente, a plataforma online de informação sobre o vaticano mais prestigiada e visitada em todo o mundo: vaticaninsider.it.

A Igreja tem esse conteúdo, essa mensagem que vale apena ser lida e faz a diferença, e que é uma pessoa: Jesus Cristo. De tal modo relevante e diferente que marcou um antes e depois na história da humanidade, o antes e depois de Cristo.

Na comunicação da Igreja, na informação religiosa, o conteúdo mais precioso e a estratégia mais certeira será sempre a de mostrar nos factos a vida em Cristo. Trata-se mesmo de uma grande urgência pastoral. Como sustenta Armando Fumagalli, professor de semiótica e director do Master em escritura para ficção e cinema na Universidade Católica do Sacro Cuore em Milão, “trata-se de fazer ver como através de histórias de vida, histórias de pessoas concretas, com nome e apelido, como a vida cristã é possível e é humanamente bela e realizadora”.

Pensar que se pode sensibilizar alguém, fazer ver e compreender a beleza do cristianismo, até mesmo converter, debitando moralismos, o Catecismo da Igreja Católica e o Código de Direito Canónico, não é só absurdo, é mesmo contraproducente, pois, regra geral, realiza precisamente o efeito contrário. “Se querem mostrar a alguém a beleza do futebol comecem por levá-lo a um jogo, não a falar em questões técnicas sobre como se marca um pontapé de canto” diz Timothy Dolan, cardeal de Nova Iorque. Por outras palavras, trata-se de pôr em prática o convite de Jesus aos discípulos “vinde e vereis”.

A reportagem do Igreja Viva desta semana fala-nos precisamente da vida em Cristo e dos lugares onde Jesus mora. Dos pobres vistos como homens e não como culpados, aos quais a sociedade quer marginalizar e empurrar para a periferia, ocultando-os assim do olhar. Os pobres que São Lourenço considerava o “tesouro da Igreja”. Dá-nos a conhecer os benditos do Pai que põem em prática as obras de misericórdia.

Uma reportagem que revela a dimensão mais nobre do jornalismo religioso: a narração da excepcionalidade da vida em Cristo, nos seus rostos, pessoas e histórias.

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