Category: Vídeos

Um novo Papa, uma nova Igreja? Pe. Alberto Brito, sj

A 26 de Março de 2013, treze dias após a eleição do Papa Francisco, três jornalistas que cobriram o conclave — António Marujo, Joaquim Franco e Manuel Vilas Boas — promoveram o  Encontro “Um novo Papa, uma nova Igreja?”, que teve lugar no Centro de Estudos Sociais-Lisboa.

Entre os oradores encontrava-se o P.e Alberto Brito, na altura provincial da Companhia de Jesus em Portugal. Dois anos após, a reflexão do Pe. Alberto apresenta as chaves fundamentais para interpretar o pontificado do Papa Francisco e de como se processam as reformas na Igreja e em Igreja. Vale a pena ouvir. Deixo algumas frase para aguçar o apetite:

“Há uma triangulação que transversalmente percorre toda a história da Igreja que é o carisma, a autoridade e a missão”.

“As mudanças superficiais são rápidas, as mudanças profundas são lentas e quanto mais profundas mais lentas”.

“Não acredito numa renovação da Igreja feita a partir de um decreto de um senhor papa seja Francisco seja quem for. Não é possível, nem é desejável”.

“A mim parece-me que o maior problema do cristianismo é a separação entre a oração e a acção, a vida e a fé”.

 

Sem vencedores nem vencidos

[publicado no suplemento ‘Igreja Viva’ (23.10.2014, p. 2) do jornal Diário do Minho]

Desengane-se quem pensa que a primeira fase do sínodo da família finalizou no Domingo passado com a beatificação do Papa Paulo VI. Fora da aula sinodal, em ambiente mais distendido, mas sempre focalizado sobre as questões pastorais difíceis, o debate continua. Nesta segunda-feira passada, os cardeais Reinhard Marx, Luis Antonio Tagle, Velasio de Paolis e Mauro Piacenza, marcaram presença na imprensa italiana e as suas posições fazem prever um ano intenso para a Igreja.

No centro do debate o parágrafo 52 da Relatio Synodi — relatório conclusivo da primeira etapa do sínodo constituído por 62 parágrafos — que abre a possibilidade dos divorciados recasados poderem comungar. Não uma abertura generalizada a todos os casos mas a “algumas situações particulares e condições bem precisas, sobretudo quando se trata de casos irreversíveis”. Isto depois de “um caminho penitencial sob responsabilidade do bispo diocesano”. O parágrafo não obteve a maioria qualificada de dois terços dos votos, mas foi aprovado pela maioria e faz parte do documento final. Continue reading